18 de maio de 2012

CARTA DA ASSOCIACAO DE MORADORES E PESCADORES DA VILA AUTÓDROMO (AMPVA) EM RESPOSTA AO JORNAL O GLOBO.

CARTA DA ASSOCIACAO DE MORADORES E PESCADORES DA VILA AUTÓDROMO (AMPVA) EM RESPOSTA AO JORNAL O GLOBO.

A Associação de Moradores e Pescadores da Vila Autódromo – AMPVA, CNPJ 30.122.410/001-76, situada na Avenida do Autódromo n. 16, baixada de Jacarepaguá, na cidade do Rio de Janeiro, através de seu presidente Altair Guimarães, e os demais moradores (as), repudia a matéria veiculada no jornal O Globo publicada no dia 10 de maio de 2012, quinta-feira, no caderno Barra (n. 2.242).

A matéria, assinada por Leandra Lima, deturpa e distorce as informações cedidas gentilmente pelo presidente da AMPVA, bem como da moradora Sandra Isidoro. Altair Guimarães jamais disse que aceitariam ser transferidos para o Parque Carioca, muito menos, declarou que o problema nesse processo seria o “temor que residentes de outras comunidades também sejam transferidos” (p. 13) para lá. A remoção não é um caminho aceito pelos moradores do bairro, assim como nenhum deles disse que não pretendem dividir o espaço com moradores de outras comunidades. A edição do O Globo, não demonstra fidelidade às informações fornecidas por Altair Guimarães, utilizou o discurso da liderança de modo incorreto ao realizar comparações indevidas da Vila Autódromo com outras comunidades do Rio de Janeiro. Os moradores da Vila Autódromo são conhecidos por sua resistência e pelo respeito às comunidades menos favorecidas da cidade que, como eles, lutam pelos seus direitos.

Não existe, entre os moradores da Vila Autódromo, nenhum tipo de problema com relação aos moradores de outros bairros citados na reportagem já que muitos deles os frequentam pelo simples fato ser o endereço de seus familiares, como é o caso, por exemplo, da Cidade de Deus, Morro dos Macacos e Santa Cruz. E o presidente da AMPVA não considera, como a matéria leva a crer, que o tráfico de drogas ou milícia são consequências da falta de organização dos moradores dos outros bairros, pois estes também são vítimas dessa situação.

Além disso, a resistência dos moradores não se faz em função do limitado tamanho das moradias impostas pela Prefeitura no futuro condomínio Parque Carioca, como também consta na mesma matéria do jornal O Globo. O fato de permanecer no bairro articula a luta por direitos, a luta por participação das decisões sobre a organização dos espaços da cidade e, por fim, a luta pela afirmação da dignidade humana.

A matéria de Leandra Lima foi uma tentativa de diminuir a complexidade que incorpora a Vila Autódromo. A permanência na Vila Autódromo é legítima e uma luta que atravessa décadas. Ali se reivindica a permanência do bairro com a urbanização do lugar onde seus moradores pagam impostos, trabalham, se organizam, propõem e cobram do poder público.

Por isso, a AMPVA tem elaborado conjuntamente com o Núcleo Experimental de Planejamento Conflitual (ETTERN/IPPUR/UFRJ) o “Plano Popular da Vila Autódromo”, que propõe a urbanização como saída democrática e mais barata à remoção. O plano contem os seguintes projetos: habitacional, de educação, saneamento e meio ambiente, economia local, transporte e desenvolvimento cultural. Cabe lembrar que a equipe técnica do Plano Popular da Vila Autódromo, formado por especialistas do Núcleo Experimental do Planejamento Conflitual (ETTERN/IPPUR/UFRJ), garante o desenho urbanístico do bairro como ocupação consolidada, ao contrário do que indica a reportagem. Para a efetivação do citado Plano a pequena parcela dos moradores que moram na faixa de 15 metros da Lagoa de Jacarepaguá propuseram, eles próprios, a mudança de suas casas para outra região do bairro.

Os moradores da comunidade não são contra a realização da Copa e das Olimpíadas, só reivindicam o direito de continuarem morando no lugar onde construíram suas histórias e seus vínculos afetivos.

A Vila Autódromo é um bairro marcado para Viver!
Viva a Vila Autódromo!

ASSOCIAÇÃO DE MORADORES E PESCADORES DA VILA AUTODROMO – AMPVA.

Rio de Janeiro, 16 de maio de 2012.



Fonte: https://www.facebook.com/vivaavilaautodromo

4 comentários:

janenasoli disse...

A IMPRENSA QUE MENTE E PARTICIPA DE JOGUINHOS CAPITALISTAS NÃO TEM O RESPEITO POPULAR!
A comunidade Vila Autódromo tem sido respeitada pelos movimentos sociais, por muitas autoridades que trabalham com seriedade, pelas comunidades que vem passando pelo mesmo processo criminoso de descriminação da por conta das remoções e também pelas que já passaram,em fim, pelo povo que clama por uma sociedade justa. As comunidades que passam pelo mesmo processo tem o respeito da Vila Autódromo e isso é notado através de tipo de luta que vem sendo feito
considerando unificadamente o direito de toda população que tem sido desrespeitada pelos que vem de cima trazendo tudo pronto para enfiar na nossa garganta. São entidades governamentais e não governamentais sem compromisso social, porém, com compromisso com o poder capital, ambicionando apenas gozar das fatais ampliações econômicas no próprio bolso juntamente com diversos aliados. O papel da mídia, seja ela qual for, é informar com seriedade independente de classe sem descriminar qualquer situação.

Para finalizar, a Globo e o jornal Globo Barra, entre outros, no lugar de tentar criar polêmicas e distorções entre a Vila Autódromo e demais comunidades, vítimas dos desconfortos, causados pelos maquiadores da cidade, deveriam trabalhar suas informações nas questões das remoções no perfil de fatos como:
-vítimas das remoções que até hoje não foram indenizadas.
-Famílias são forçadas a saírem de suas casas para dar lugar as obras para a COPA 2014 e as OLIMPÍADAS 2016 sem seus direitos constitucionais.

Que não trabalha com a verdade não é confiável.

Imprensa marrom ou Imprensa cor-de-rosa são órgãos de imprensa sensacionalistas e que busquem alta audiência e vendagem através da divulgação exagerada de fatos e acontecimentos, chegando até mesmo a editar matérias colocando na boca do entrevistado aquilo que não foi dito, atuando com transgressão da ética jornalística tradicional. É o equivalente brasileiro e português do termo yellow journalism.

Assim procede a imprensa escrita quanto da falada ou televisiva como veiculadores da assim chamada imprensa marrom. Tais citações teriam como bojo o viés político daquele que cita, de acordo com a visão que este possui do mundo e da realidade em que vive.

Frequentemente veículos de imprensa divulgam notícias amparados em sua linha editorial ou em suas próprias crenças políticas, econômicas ou sociais, de modo a influenciar aquele que recebe a notícia no sentido de se engajar em sua própria visão de mundo. Cabe àquele que recebe a informação, deste modo, verificar se possível em várias fontes para se inteirar da realidade dos fatos e formar sua própria opinião.

A prática de um órgão de imprensa divulgar informações e notícias segundo sua linha editorial não constitui, em si, um problema ético. Grandes e respeitados jornais mundo, como o Daily Telegraph, Le Monde ou New York Times fazem isso, porém sempre deixam claro suas posições ao eventual leitor, de modo que o mesmo possa entender sob qual ótica a informação está sendo passada. O "jornalismo marrom" de fato se manifesta quando essa posição é propositalmente omitida, e fatos são distorcidos ou apenas parcialmente divulgados para levar o leitor ao erro, intencionalmente.

A ideia é que os recursos jornalísticos usados pela imprensa marrom criam um ar de desconexão entre a responsabilidade dessas empresas com sua informação e origem da informação (colunistas, especialistas, apresentadores "irados").

Contra a prática deste tipo de jornalismo, em países democráticos, há sempre o recurso do processo judicial, onde aquele cujo direito foi ferido por informações falsas ou distorcidas obriga o órgão difamador a indenizar o atingido pelos prejuízos causados, seja de forma financeira e/ou fazendo uma retratação pública sobre o ocorrido.

Rafael Gomes Penelas (A Nova Democracia) disse...

Companheiros(as),

Gostaríamos de lhes convidar para as atividades de celebração dos 10 anos do jornal A Nova Democracia que serão realizadas nos dias 8 e 9 de junho no Rio de Janeiro.
Convidamos a todos os nossos leitores e apoiadores da imprensa popular para que participem dessa importante celebração de 10 anos de existência e resistência do nosso jornal.
Desde já, sintam-se convidados!


PROGRAMAÇÃO:

DEBATE: A IMPRENSA POPULAR E DEMOCRÁTICA
Dia 8 de junho, às 18h, na Associação Brasileira de Imprensa (ABI)
Rua Araújo Porto Alegre, n° 71, auditório do 9° andar.
Centro – Rio de Janeiro

Com a presença de:

- Vito Giannotti (Membro do Núcleo Piratininga de Comunicação e do conselho editorial do jornal Brasil de Fato).
- Raimundo Pereira (Diretor do jornal Movimento nos anos de 1970/início dos 80; Diretor editorial da revista Retrato do Brasil).
- Maurício Azêdo (Presidente da Associação Brasileira de Imprensa).
- José Ricardo Prieto (Diretor geral do jornal A Nova Democracia).

ATIVIDADE CULTURAL
Música popular, teatro, dança e poesia
Dia 9 de junho, às 19h.
Local: Espaço de Dança Caio Monatte
Rua Haddock Lobo n° 79/sobrado.
Próximo a estação de metrô do Estácio.

Anônimo disse...

companheiros da vila autódromo parabenizo a comunidade pela resistência e luta contra a segregação urbana que sempre bate sobre os povos pobre e desposuidos ,explorados e excluidos ,mas na verdade o que esse sistema podre capitalista poderia oferecer senão a miséria . por isso camaradas se eu puder no dia 20 estarei com voces para somar força a luta que não é só da comunidade ,mas de todos .o direito a moradia não pode ser mais um sonho nem lei e sim um direito real . e também já deixo o endereço do jornal a verdade - www.averdade.org.br - sou joseilton s. mendes

CLAUDIO SILVA disse...

Não deixem de ASSINAR O MANIFESTO da comunidade precisamos de 5000 assinaturas, em 2 semanas já está com 1.300.00 assinaturas. O manifesto está no FACEBOOK da comunidade(email: ampva16@hotmail.com)ajude na divulgação, compartilhe!